Bastante corriqueiro também é, o fato de nos comentários dos jornalistas um tom indignado ou de pasmo diante de tal situação, raramente se faz uma análise mais profunda sobre a situação que gerou a falta de ética, quais os elementos envolvidos, os motivadores da ação.
Boa parte das vezes eu sou ótimo em julgar os outros, e quando em vez até me arvoro em dizer que fulano não poderia ter agido assim, que sicrano tinha que ter mais vergonha na cara, que beltrano é um safado, que a situação é insustentável.
Será que seu desse R$ 20,00 para um policial me liberar em uma blitz por uma lanterna queimada, não estaria sendo tão desonesto quanto o deputado que tinha dólares na cueca?
Será que se eu estaciono rapidinho em fila dupla para entregar o DVD na locadora estou sendo um maú cidadão para a sociedade em que convivo?
Será que ao acelerar para passar no amarelo de carro ou atravessar fora da faixa estou provocando dano a meu semelhante?
Será que dar a desculpa de que outros fazem, não é a maneira que eu encontrei para me permitir ser desleal com os outros e comigo mesmo?
Será que meu papel de bala atirado no chão vai fazer diferença no bueiro da cidade na próxima chuva?
Será que se recebo um troco errado e fico calado, estou propagando e me vangloriando da famosa “lei de Gérson” (tirar vantagem em tudo) ainda que na surdina,sem falar nada para ninguém?
Não sou melhor, nem pior do que qualquer habitante desta cidade,deste estado,deste país ou deste planeta. Apenas comecei a questionar a forma como eu ajo, e não importa se o outro não faz o mesmo que eu.
Posso sim fazer a minha parte, sem ter que apontar para o outro exigindo que ele deve fazer da mesma forma, estou tentando tirar um pouco de minha vida os auto impositivos: tem que ser assim, desse jeito que é o certo, esta é a maneira correta, se todos fizessem assim, entre outras coisas.
Minha tentativa é ser mais correto comigo e permitir que o outro também erre, assim como eu muitas vezes sou incoerente comigo mesmo, minhas ações e minha retórica.
Talvez, se começarmos a fazer alguns questionamentos internos e individuais as coisas podem ser que melhorem coletivamente.
Talvez, e somente talvez, se no meu erro eu voltar atrás e aprender com ele, quem sabe eu aja corretamente na próxima.
Sei que ainda vou errar muito na vida e também acertar muito.
Meu compromisso comigo é: Fiz o meu melhor?
Um grande abraço, questione-se se desejar e até o próximo artigo.
